segunda-feira, 3 de julho de 2017

Sobre quem eu sou / sobre quem eu fui

Uma autobiografia se faz cada vez mais necessária. Minha dificuldade para a escrita, para fornecer obstáculos a esta tarefa, se faz mais latente conforme a ansiedade cresce. Mas aqui neste espaço eu não devo um texto belo pra ninguém. Este espaço é só meu e é pra mim que eu escrevo.
"Ansiedade" é uma palavra nova por aqui, a propósito. "Depressão" também não lembro de ter mencionado. Ocorre que a finalidade com a qual criei este blog têm se mostrado presente. "A Lilian esquecida" é a Lilian de hoje. E isto se deve a estas duas palavrinhas ardilosas. A depressão arrancou de mim aquilo que eu era, e a ansiedade em recupera-la (a Lilian) só a afastou ainda mais. Todo mundo corre de gente ansiosa, até eu de mim mesma. Foi o que aconteceu.
Estou agora presa num limbo. Não sei quem eu sou e tenho pressa para descobrir. Recorro a este blog e aos meus escritos no caderno pra tentar me lembrar. Mas ao mesmo tempo me questiono: eu sou ou eu FUI? Meus escritos - antigos e recentes - dos cadernos expressam sentimentos, insatisfações, percepções do meu Eu espacial e temporalmente localizado sobre as contingências da época. Seriam Eu's conjunturais? Há algo de essencial e recorrente naqueles registros?
Gosto de pensar que sim, mas é precisamente esta substância recorrente que perdi. Assumindo isto, a questão seguinte é: posso recupera-la ou devo criar algo novo? Ora, apelemos para o clichê sartreano: se a existência precede a essência, é dado que devo me engajar em um novo projeto e o que "sou" emanará. 

Meus projetos e projetos de projetos atualmente:

Eixo Conhecimento: mestrado, grupo de estudos UFABC, grupo de estudos Unifesp, aulas BCH.
Eixo Autoconhecimento: psicoterapia, yoga, _______.
Eixo Saúde: academia, alimentação.
Eixo Lazer: séries, teatro, cinema, shows, trilhas.
Eixo Afetivo: ligações/conversas com a família, conversas/confraternizações eventuais com amigas/os.
Eixo Militância: Movimento de Mulheres Olga Benário, Caminhos para a Resistência (Comitê ABC Contra o Golpe).

Apenas para registro.
Preciso estudar, ler pra caralho até entender que diabos eu tô fazendo/quero fazer no mestrado.
Raramente consigo concluir um raciocínio por aqui (em 9 de 10 vezes eu venho aqui escrever quando estou procrastinando alguma tarefa que me angustia).

Biblioteca da UFABC-SBC, mesas individuais - parede branca sem estímulos/distrações visuais, frio pra caralho (15 graus), 15:56.

Lilian - vale mencionar a certeza de que meu nome é bem bonito :3 :*
(e de que eu sou bem fofa sim)

Talvez algo de essencial em mim seja a angústia sobre quem eu sou e a insegurança sobre o que eu estou fazendo e sobre quando as coisas vão começar a ser pra valer.

Enfim,
15:58. Fui.

sexta-feira, 16 de maio de 2014

Sexta-feira

Estou fazendo um seminário sobre Hume de Teoria do Conhecimento. Amanhã tem campanha solidária e será minha primeira atividade como membro adulta. Quero faltar mas não posso/quero por diversos motivos. Depois comemoraremos o aniversário do meu pai. Domingo tenho concurso da prefeitura de Santo André. O quadrimestre está acabando. Me sinto bem mas não gosto das inquietações, aflições, frios na barriga e vergonhas súbitas e 'retroativas' que sinto as vezes. Não tenho motivos pra me envergonhar. Agora eu tenho um avental de professora. Passei a noite com perturbações. Não quero passar por isso hoje.

Boa noite.

terça-feira, 29 de abril de 2014

o novo é bom? o novo é novo?

Vem cá ver que o novo é bom
Pode amedrontar, te atropelar, te desgovernar
Te desafiar, mas desafinar na hora

Um dia, uma solidão
De um lado o trapézio e do outro o chão
Um salto em sua direção, toda esperança em suas mãos

Se você for me soltar, me avisa pra eu fechar os olhos
Não vai doer se eu não me ver cair

Those are the changes
And you can't touch with your hands
All the ends you can change
But you can't see with your eyes

(medulla, o novo)

domingo, 20 de abril de 2014

Leituras futuras

Vou aproveitar o espaço pra registrar aqui algumas leituras que quero fazer.

A invenção da homossexualidade - Paulo Roberto Ceccarelli
http://incubadora.ufrn.br/index.php/Bagoas/article/viewFile/505/429

A era do vazio - Gilles Lipovetsky
http://www.filoczar.com.br/filosoficos/Lipovetsky/LIPOVETSKY,%20Gilles.%20A%20era%20do%20vazio.pdf


O primeiro foi indicação de um rapaz que participa comigo de um grupo de estudos sobre mulheres na UFABC. Já o segundo encontrei hoje na internet. Eu estava interessada por Lipovetsky devido a minha indigestão perante a moda e ontem estava lendo um artigo sobre ele numa revista de Filosofia. Por acaso, hoje descobri que ele também trata do humor - a outra questão que me dá nó.

É isso.
Só espero que eu consiga lê-los um dia.

Boa noite.

Racismo (breve registro do pontapé inicial pra desconstrução)

Aqui vai a seleção de links e comentários pra disciplina de PPGEG. É o começo da minha desconstrução do racismo, tem bastante baboseira escrita. Por se tratar de uma disciplina que puxa pro lado pessoal eu não tive muito medo de escrever mal ou de falar bobagem. Este post foi pra mostrar mais ou menos qual o pontapé inicial que eu dei pra tentar entender a questão (do racismo, mas tem alguns comentários sobre gênero).
Informações sobre a minha pesquisa
Bom, comecemos então a parte de meu trabalho chamada de “informações sobre a minha pesquisa”. Por “pesquisa” estou compreendendo todo o processo de busca por compreensão – desde o primeiro segundo de aula – e de reflexão sobre os temas tratados na disciplina. Isto inclui pensamentos soltos, anotações no caderno, coisas que li na internet, dúvidas que tenho e ainda não encontrei resposta (e nem pretendo), etc. A maioria destas reflexões são menos sistemáticas (no sentido de adquirir conhecimentos concretos pra acumular na cabeça) do que pessoais. Os conteúdos desta disciplina necessariamente levam a reflexões acerca da minha condição enquanto parte de uma sociedade desigual e cheia de convenções baseadas em conceitos socialmente construídos, portanto, acho que faz mais sentido eu utilizar este espaço como um apoio para o meu processo de conhecimento a partir da desconstrução, do que como um depósito de conteúdos soltos. Para tanto, postarei links de textos que li a fim de orientar minha busca e, eventualmente, comentários (principalmente dúvidas) sobre os mesmos.
 Começando por:
 QUESTÕES ÉTNICO-RACIAIS
 Notícia boa:
Sobre a inclusão de uma disciplina obrigatória que trate de questões étnicas. Nas próprias escolas estaduais eu sinto que falta uma abordagem mais direta destes temas (da questão étnico-racial, de gênero, entre outras). Nos documentos para a educação existe a “sugestão” dos temas transversais (e em 2013 a LDB passou a exigir uma “consideração com a diversidade étnico-racial), mas minha experiência como aluna (e quase-professora) da rede estadual  só traz lembranças pontuais como: o dia de desenhar “qualquer coisa sobre negros” ou “qualquer coisa sobre os índios”, enfim, nada reflexivo. Saí da escola sabendo que negros foram injustiçados lá no passado, mas sem fazer nenhuma ligação com o racismo no presente. Isto me leva à raiz do problema mais uma vez: falta capacitação dos professores para que as políticas sejam aplicadas de forma efetiva.
 Sobre ciganos:
Uma cultura sobre a qual meu conhecimento é quase nulo (tirando todos os estereótipos que tenho em mente).
 Breve artigo pra entender melhor a questão:
Este texto cutuca uma ferida na qual eu tenho pensado bastante nos últimos tempos: a importância de reconhecer os próprios privilégios. Eu costumava ter aqueles raciocínios simplistas como “cotas para negros é racismo” ou “conheço 2 negros que estudam em universidade pública” até pouco tempo atrás e não porque eu era burra ou uma pessoa ruim, mas porque eu estava na posição cômoda de enxergar e pensar as coisas a partir das minhas próprias referências, ignorando a pluralidade, ignorando aquilo que eu não conheço e, pior, ignorando as entrelinhas. Graças ao contato que tive com o feminismo – a partir do qual senti na pele a dificuldade que é implorar pela compreensão de pessoas que jamais passarão pelas experiências que passei por estarem em posições privilegiadas – pude notar que a minha visão sobre questões étnico-raciais era completamente limitada e que, até então, eu não estava fazendo esforço algum para compreender a perspectiva do “outro”. Admito que meu envolvimento com a questão ainda esteja em seus primeiros passos, eu reconheço meus privilégios por ser uma mulher não-negra, mas meu preconceito ainda é bastante recorrente na fala e em gestos que eu mesma não percebo. O que quero dizer, enfim, é que o fato de eu ter “tomado consciência” sobre a gravidade do problema do racismo no Brasil em pleno século XXI não me torna livre de preconceitos, pelo contrário, isto apenas me põe um alerta para que eu torne a desconstrução uma parte de meu dia-a-dia (e, claro, sempre com a abertura pra “puxões de orelha” de quem quiser me ajudar na desconstrução).

Quando chego ao ponto do fretado em cima da hora surge a dúvida: será que estou sozinha ou tem outros estudantes aqui? Aí pronto: olho ao redor e meu sensor de “aluno de universidade federal” começa a funcionar. Não seria exagero dizer que eu me surpreendo toda semana.

Normalidade: isto existe?

Pretendo ler este aqui em breve:

 QUESTÕES DE GÊNERO
 Sobre gênero, sexo e banheiros (em inglês, mas o importante são as imagens):
Será que é possível ter banheiros separados sem reforçar estereótipos? A princípio, penso que a única razão pela qual os banheiros são separados por sexo é a “segurança” de poder entrar na cabine sem ser atacada por um homem (nos lugares que frequento, se o banheiro não é muito isolado, até que funciona). No entanto, esta me parece ser a mesma lógica que justificaria a criação de vagões femininos. Enfim…

Encontrei também este aqui da Lola: ela colocou num texto tudo o que venho tentando mostrar para os homens de meu convívio esse tempo todo. E pra quem diz que meu medo de andar sozinha a noite é irracional: não é de assalto que eu tenho medo, eu corro um risco diário de passar por coisas horríveis simplesmente porque possuo uma vagina (ou melhor, simplesmente pq alguns homens acreditam que a mesma está lá a seu serviço). Daí a urgência de uma mudança nessa mentalidade cruel desde a base.

Por enquanto é isso…
postado anteriormente em www.politicaspublicasdegeneroetniaegeracao.wordpress.com

Nova categoria: academicamente falando

Criei uma tag nova. Se chama "academicamente falando". Isso significa que, eventualmente, postarei coisas que escrevo pra faculdade (não todas né, só as que forem ruins o suficiente pra não correr risco de plágio, rs) já que eu tô sempre escrevendo por lá e uma hora ou outra esta Filosofia toda precisa ter alguma relação com meus questionamentos e crises pessoais. Pra começar o que posto abaixo é um pré-projeto (bem mais ou menos e bem mal escrito) que fiz pra disciplina de PPGEG (você sabe o que significa). Enfim, não vou detalhar muito pq ainda tenho alguma confiança na nossa memória, né.
Queria aproveitar pra registrar uma coisa: existem duas questões que andam me atormentando (na verdade 3). Daquelas que de tantos nós que criam você fica com preguiça/medo de pensar e, ao invés de passar uma noite em claro tentando achar resposta, você prefere passar semanas pensando em prestações até a resposta vir naturalmente na hora que você acorda. São elas: 1) moda e identidade: quem é a vilã?; 2) humor politicamente incorreto: pq me incomoda tanto?
Bom, em breve posto a versão boa e completa do projeto. Segue a prévia abaixo:

PRÉ-PROJETO DE POLÍTICA PÚBLICA
Semana das Diversidades na Escola
O que a política fará: tornará obrigatória a realização anual da Semana das Diversidades na Escola. Esta consistirá em um evento com a duração de uma semana, que trará atividades que promovam um primeiro contato com questões de gênero, etnia e geração, de modo a tornar a comunidade escolar um grupo de pessoas conscientes da importância de respeitar as diferenças. Para xs alunxs serão ofertadas atividades variadas e adequadas de acordo com a idade – oficinas, conversas em roda, dinâmicas, jogos, etc. – enquanto os professores, no mesmo horário, estarão participando de um curso para orientá-los sobre como lidar com as diversidades dentro da sala de aula, a fim de que os mesmos não perpetuem preconceitos.
Público alvo: alunxs de todas as séries (da pré-escola ao ensino médio) e professorxs de escolas municipais, estaduais e federais.
Objetivo: promover a quebra (ou a não assimilação) de estereótipos e tabus de gênero, etnia e geração, a fim de que a escola seja um ambiente aberto às diversidades.
Demanda: sabe-se que os anos escolares tem grande peso na formação de nossa personalidade.  O contato com nossxs colegas e com suas ideias é fundamental para a formação de nossa personalidade e conduta. Diante disto é de se esperar que, quando inseridos em um grupo que dissemina ideias preconceituosas, crianças e adolescentes tenderão a seguir os padrões de comportamento dominantes no grupo, reproduzindo tais preconceitos. No entanto, sabemos tais preconceitos não nascem junto com as crianças, quem se encarrega de transmitir estas ideias são as pessoas com quem elas convivem. Sendo assim, é fundamental que a escola – lugar na qual os indivíduos passam boa parte do início da vida – não seja fonte de ideias e comportamentos contaminados por preconceitos de qualquer espécie.  Daí a necessidade de se trabalhar a quebra de estereótipos (ou a não formação deles) desde os primeiros anos escolares e, principalmente, de tornar as figuras de autoridade (que são dotadas de grande poder de influência, mesmo de forma não intencional) exemplos de consciência e respeito frente às diversidades.
Postado anteriormente em: www.politicaspublicasdegeneroetniaegeracao.wordpress.com

Eu também não gosto de poesia

Eu não gosto de poesia
mas criei um pseudônimo
Não adentra pelo sensível
mas sai sem permissão
Escorregadia
Honesta
Cruel

(Antonio Lira)